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PUBLICAÇÃO

Lançamento do livro "Pequeno guia da botânica modernista" (25 de março, às 19h - online)

Publicado: Terça, 09 de Março de 2021, 17h06 | Última atualização em Terça, 23 de Março de 2021, 17h40

Lançamento online do Pequeno guia da botânica modernista

25/03, 5a feira, 19h | Em https://youtu.be/Q7aiWNlYTDM 

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Entre a arte e a botânica: livro apresenta a visão dos modernistas de 22 sobre as plantas 

Já há muito tempo, a botânica é um assunto popular, e objeto de muitas publicações, como dicionários, enciclopédias, guias de campo e manuais sobre plantas e seu cultivo. O Pequeno guia da botânica modernista, ao mesmo tempo em que se insere nessa tradição, propõe também uma abordagem diversa, em que a escolha das espécies a serem apresentadas é conduzida não pelo olhar dos cientistas, naturalistas ou horticultores, mas pelas obras dos artistas que há quase 100 anos (na Semana de Arte Moderna de 1922) inauguraram o chamado “modernismo paulista”. E é justamente nessa mudança de ponto de vista que reside o maior interesse do livro: quem nos fala sobre as plantas, seus usos, suas características, formas e significados são artistas e escritores como Lasar Segall, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Raul Bopp, Blaise Cendrars e Paulo Prado, além de duas figuras cujos projetos paisagísticos são até hoje pouco conhecidos e valorizados: Flávio de Carvalho e Mina Klabin Warchavchik.

O projeto gráfico inusitado, feito pelo arquiteto Gabriel Pedrosa, configura o Pequeno guia como um livro-objeto, que pode ser lido, mas também visto e manuseado. Na capa, as espécies vegetais são cientificamente representadas pelas imagens das exsicatas – amostras de plantas secas provenientes de herbários do Brasil e do mundo. Continuando-se a exploração, descobre-se que cada planta pode ter muitas outras representações; surgem então os folhetos que viram cartazes, reunindo os poemas, desenhos, pinturas, depoimentos, cartas e fotografias dos modernistas. A pesquisa documental realizada pela autora revela a riqueza, a multiplicidade e mesmo as contradições das visões dos artistas e escritores, enquanto os pequenos textos que acompanham cada espécie oferecem possibilidades de interpretação desse extenso material.

Segundo a autora Ana Carolina, a ideia do livro surgiu a partir de seu trabalho de doutorado; ao pesquisar as representações da vegetação (e de categorias a ela relacionadas, como paisagem e natureza) no modernismo paulista dos anos 1920 e 30, ela percebeu que os primeiros modernistas se valeram enormemente das plantas em sua busca de uma identidade nacional e moderna para o Brasil – e que a flora é para eles tão importante quanto outros signos mais reconhecidos de brasilidade, como o negro e o indígena. Muito além de cactos, palmeiras e bananeiras (plantas comumente associadas ao modernismo, em grande medida devido à notoriedade das pinturas de Tarsila), estes artistas e escritores articularam, juntos, um conjunto muito maior de plantas – a pesquisadora chegou a contabilizar mais de 200 espécies mencionadas ou representadas em suas obras – , transformando-as em verdadeiros “símbolos vegetais”.

Assim, no Pequeno guia, são apresentadas 19 dessas espécies: há plantas nativas e também plantas exóticas naturalizadas brasileiras (espécies do mundo todo, que, como as ferrovias, automóveis e arranha-céus, passam a delinear nossa modernidade); há espécies do México e da América Central (que falam da busca modernista pelas raízes do Brasil, anteriores à colonização); há as plantas nobres, que servem para embelezar a grande cidade, e as plantas humildes, que alimentam a gente da roça ou da floresta; e há mesmo plantas que, normalmente desprezadas como “mato”, passam no modernismo a explicitar a uma dimensão intensa e conflituosa da relação homem-natureza.


Sobre a autora

Ana Carolina Carmona Ribeiro é arquiteta formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e mestre em artes visuais pela Escola de Comunicações e Artes na mesma universidade. Atualmente, está finalizando sua pesquisa de doutorado, “Botânica modernista e a natureza do Brasil redescoberto”, sob a orientação do paisagista Vladimir Bartalini. É também professora no curso de Arquitetura e Urbanismo do Instituto Federal de São Paulo, ministrando disciplinas das áreas de paisagismo, desenho e comunicação visual.


Ficha técnica do livro

Obra realizada com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC) - Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo

Design gráfico e diagramação: Gabriel Pedrosa

Pesquisa botânica: Bianca Brasil

Produção editorial: Camilla Freitas

Revisão e tradução: Pedro Carmona Ribeiro


Informações de contato

Instagram: @botanicamodernista

Email botanicamodernista@gmail.com

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